Entre subidas, descidas e cachoeiras, trilhas e passeios revelam Ibitipoca Parque estadual mineiro chega a receber cinco mil visitantes

Um ibitisucesso nas redes sociais vem conquistando corações e um número crescente de visitantes. Em um feriado, a pacata Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte com mil habitantes, chega a receber cinco mil visitantes atraídos pelo parque estadual local, o mais visitado de Minas Gerais.

 

Na reserva ambiental, sinal de celular e internet são coisas raras, mas — acredite — a tecnologia quase não faz falta entre uma ladeira e outra. Quando a conexão funciona, é comum ver um aglomerado de turistas, todos encantados o suficiente para colocar “ibiti” na frente das palavras, a exemplo do que se vê com frequência em lojas e produtos locais.

 

 

 

A proximidade de Juiz de Fora (90km) e Belo Horizonte (300km) serve como chamariz para mineiros, mas a pequena vila já transbordou os limites estaduais e coleciona sotaques de outras partes do país o ano todo. Apesar da alta frequência de janeiro a janeiro, as estações mais indicadas para conhecer Ibitipoca são outono e inverno, quando as chuvas dão um tempo e a segurança dos passeios aumenta consideravelmente: na tradução do tupi, “ibiti” quer dizer lugar alto, e “poca”, que estoura — numa alusão à alta incidência de raios na área da reserva ambiental.

O mais badalado dos três grandes roteiros do parque é o da Janela do Céu, uma corredeira cercada por mata e rochas que emolduram a vista para o horizonte. Na beirada, o azul e as nuvens são refletidos na pequena piscina natural: é nela também que os pés cansados aproveitam as baixas temperaturas para anestesiar as dores depois de 8km de subidas e descidas (só para chegar lá). Apesar da fama, a extensão da trilha faz com que muita gente opte pelo Pico do Pião (11km) e, principalmente, pelo Circuito das Águas (5km), o mais democrático e movimentado dos caminhos de Ibitipoca.

Seja qual for o destino, a aventura começa cedo. O movimento é tanto que, em dias de pico, quem chega depois das 8h pode ficar de fora do parque, que tem como teto 1.200 pessoas — há relatos de filas de mais de duas horas além dos portões. Quem consegue entrar também pode ter que esperar para aproveitar alguns trechos, lotados de turistas, como a própria Janela do Céu.

 

Um atalho pela água

 

E há uma alternativa ao trânsito das trilhas que pode tornar o passeio ainda mais atraente. O guia Gabriel Fortes, de 36 anos, leva turistas por um tour de 40 minutos que batizou de Aquatrekking, espécie de caminhada pela água, por riachos, corredeiras e pequenas cachoeiras até chegar à Janela do Céu. A aventura ajuda a fugir do engarrafamento na entrada — afinal, todo mundo quer fazer foto no local —, mas é ideal para quem não tem medo de água gelada.— Esse passeio deve ser feito com guias. Além de pedras escorregadias, o visitante passa por trechos com água até o peito. É preciso estar atento às condições de segurança: se chover, nada feito — diz o profissional.

 

Por terra ou água, as recompensas pós-trilha valem o esforço. E, dessa vez, não são sobre a beleza dos pontos turísticos. Pães de queijo à parte, quem rouba a cena às mesas da vila de Conceição de Ibitipoca são os pães de canela, uma iguaria típica do local. Os rocamboles são leves e vendidos frescos por R$ 5 pelos moradores, que penduram plaquinhas às janelas das casas à beira da estrada de chão que leva ao centro. Outro produto made in Ibitipoca são as cervejas artesanais Ibitibeer (cerca de R$ 15) e Serra do Ibitipoca (a partir de R$ 20).

 

 

Caminhadas exigem preparo, mas há opções leves

Não é à toa que o Circuito das Águas é a trilha mais visitada do Parque Estadual de Ibitipoca. Além de ser a que tem mais atrativos, como paredões, mirantes, cachoeira e quedas d’água, sua extensão de 5km (ida e volta) é a mais convidativa entre as três opções.

A quantidade de pontos durante o passeio — os destaques são o Lago das Miragens, a Prainha e a Cachoeira dos Macacos — obriga o turista a fazer várias paradas, que são boas desculpas para o descanso. Há quem aproveite a faixa de areia da Prainha, uma queda d’água com volume suficiente para mergulhos, para fazer o lanche do dia e curtir sem pressa.

As ladeiras aqui são mais leves do que as trilhas do Pico do Pião e da Janela do Céu, e o percurso, a não ser por pedras escorregadias em alguns trechos, não apresenta obstáculos difíceis. Para evitar acidentes, é importante usar calçado próprio para trilhas, com solado antiderrapante. No caso de grupos com idosos e crianças, é indicado contratar guias.

Grutas e ruínas no pico do pião

A chegada ao Pico do Pião proporciona a vista do segundo ponto mais alto do parque, com altitude de 1.720m acima do nível do mar — o primeiro é o Pico da Lombada, a 1.784m. Lá de cima, dá para ver os vales e os cânions do parque e, no caminho, as grutas do Pião e dos Viajantes. Outro ponto central do passeio é a ruína de uma igrejinha de 1928 que, destruída por um raio, não chegou a ser refeita. Dela, restou um altar que dá pano para manga em fotos publicadas nas redes sociais. Com 11km no total, a trilha é considerada simples, e não requer equipamentos especiais ou oferece riscos por suas características.

 

A dificuldade fica por conta, mais uma vez, do preparo físico necessário para completá-la. Afinal, além de ser um longo caminho, o sobe e desce das ladeiras acompanha os visitantes até o fim. O sol e o peso da mochila também podem acelerar o processo de cansaço. Genecy Fernando, guia da região, indica o passeio para quem tem disposição de sobra e pretende fazer um passeio mais reservado:

— É o mais indicado para dias de muita visitação, justamente por ser mais sossegado. Além disso, a vista panorâmica faz valer a pena — diz.

Janela do Céu exige preparo.

 

São 16 quilômetros de questionamento: durante o trajeto, muitos se arrependem de ter resolvido ir à Janela do Céu. Mas isso passa. Os primeiros mil metros são os mais difíceis, já que uma enorme ladeira que leva ao Cruzeiro, o primeiro atrativo da trilha, desafia o fòlego do visitante. Só que o restante fica mais fácil com belos pontos, como a Cachoeirinha e as grutas dos Três Arcos, dos Fugitivos e dos Moreiras.

 

O trajeto até lá é considerado de moderado a difícil, também por conta do esforço físico. Quem não tiver bom preparo ou sofre de algum problema nas articulações pode ter dificuldades para completar o percurso, principalmente na volta, pois é particularmente desafiador recuperar o ritmo depois do tempo de descanso e de um mergulho na piscina natural.

Na volta, a chegada ao portão do parque acontece geralmente no auge da beleza do pôr do sol. O espetáculo do céu alaranjado, que ilumina as montanhas da reserva, deixa uma ponta de ibitisaudade, e uma certeza: o trauma das subidas não vai demorar a passar.

 

Serviço

 

Parque Estadual do Ibitipoca. De terça a domingo (e às segundas-feiras, apenas em feriados), das 7h às 18h. Ingresso: R$ 20 em fins de semana e feriados e R$ 10 em dias úteis. Tel. (32) 3281-1101. ief.mg.gov.br

Guias de turismo. O guia Gabriel Fortes, da Sauá Turismo, oferece o Aquatrekking para a Janela do Céu, com duração de 40 minutos, por R$ 30 por pessoa (até seis) ou R$ 150 em grupos de até cinco. Tels. (32) 98404-3905. sauaturismo.com. Os mesmos preços cobra o guia Genecy Fernando. Tels. (32) 98404-8063.



 



 



 



 

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